“A tradição dos homens geralmente afirma que nosso Senhor Jesus Cristo morreu na tarde de sexta-feira (chamada “Sexta-feira Santa” ou “Sexta-feira da Paixão) e ressuscitou na manhã de Domingo (chamado “Domingo da Páscoa”). Mas, o que realmente diz a Bíblia a respeito desses dois eventos tão significativos para os cristãos?
Quando os escribas e fariseus pediram que Jesus lhes desse um sinal de que Ele era o Filho de Deus (Mat. 12:38-40), Ele disse: “Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e
três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do homem estará três dias e três
noites no coração da terra”. Este sinal decisivo dado por Jesus da Sua messianidade, é referido em mais de vinte passagens bíblicas. (Ver Nota 1).
Entre os hebreus, o pôr-do-sol marcava o fim de um dia civil e o começo de outro. O período noturno era dividido em vigílias e o período diurno em doze horas, a partir do nascer do sol. Era diferente do dia civil romano que, como o nosso, começava à meia-noite estava dividido em dia e noite de igual duração.
Ora, verificamos pela Bíblia que Jesus ressuscitou as últimas horas do dia de Sábado, segundo o horário hebraico. O texto de Mateus 28:1, relatando a primeira visita das mulheres ao sepulcro, diz: “No findar do Sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”. Mas o anjo lhes disse: “Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito”. (Verso 6) Assim, ao findar o Sábado semanal, quando se aproximava o pôr-do-sol, CRISTO JÁ HAVIA RESSUSCITADO!
Conseqüentemente, partindo desse momento e considerando as Suas palavras proféticas, basta retrocedermos três dias e três noites para encontrarmos o dia da semana em que Ele morreu e foi sepultado: quarta-feira. Note-se ainda que o momento da Sua ressurreição (pouco antes do pôr-do-sol) corresponde com o do Seu sepultamento, pois Ele morreu à hora nona do horário hebraico (15 horas nossas) e foi sepultado pouco antes do pôr-do-sol, antes que se iniciasse o “grande Sábado pascal” (Ver Nota 2).
Segundo o relato bíblico, Jesus morreu e foi sepultado no dia da preparação, isto é, na véspera do grande Sábado Pascal (Mar. 15:42 ; Jo. 19:14,31,42) que, evidentemente, naquela semana não coincidiu com o Sábado semanal. Os judeus adotavam o calendário lunar e, segundo a lei mosaica (Êx. 12:6,16 ; Lev. 23:5-7 e Deut. 16:6), a festa da Páscoa erq celebrada no dia 14 do mês de Abibe ou Nisan, à tardinha, que sempre correspondia ao dia seguinte à lua cheia pois todo mês do calendário hebraico começava sempre com a lua nova. O mês de Abibe era o primeiro do ano hebraico e correspondia à entrada da primavera. Todo ano, nesse dia, no final da tarde, era imolado um cordeiro sem defeito, para remissão dos pecados do povo. O dia seguinte (15 de Abibe) era sempre considerado um grande Sábado cerimonial (Sábado Pascal), com descanso obrigatório, segundo o mandamento. Cristo é o Cordeiro de Deus que à semelhança do cordeiro pascal, deveria morrer em nosso lugar no sacrifício da Páscoa – Ele é a nossa Páscoa (Ver Nota 3).
Confirmando a exposição precedente podemos recorrer aos precisos cálculos astronômicos fornecidos pelo Observatório Naval dos Estados Unidos em 23/11/1920, certificando que a primeira lua cheia do equinócio da primavera do hemisfério norte, no ano da crucificação de Cristo (31 AD), ocorreu no dia 27 de março (do calendário Juliano), que correspondeu exatamente com a noite do dia 14 de Abibe (do calendário hebraico), ou seja, de terça para quarta-feira de nosso calendário.
Concluindo, podemos afirmar, baseados nas Escrituras, que Cristo morreu cerca das 15 horas e foi sepultado, quase ao pôr-do-sol de quarta-feira, e ressuscitou quase ao pôr-do-sol de Sábado, tendo completado exatamente o período de três dias e três noites que, conforme predissera, estaria no sepulcro. (Ver Nota 4)
NOTAS
1. Mat. 16:4,21 ; 17:23 ; 20:19 ; 26:61 ; 27:40,63,64 ; Mar. 8:31 ; 9:31 ; 10:34 ; 14:58 ; 15:29 ; Luc. 9:22 ; 18:33 ; 24:7,46 ; Jo. 2:19,20 ; At. 10:40 ; I Cor. 15:4 ; etc.
2. Mat. 27:46,50 ; Mar. 15:34,37 ; Luc. 23:44,46 ; Jo. 19:31, 38-42.
3. Isa. 53:7 ; Jo. 1:29 ; Heb. 9:13-15 ; Apoc. 22:14 ; I Cor. 5:7.
4. Dan. 9:27 ; Luc. 13:10, 22,31-33.
01) Qual é o único sinal da messianidade de Cristo, apresentado por Ele próprio, na Bíblia?
Mat. 12:38-40.
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02) Biblicamente, quando termina o dia? Gên. 1:5,8 ; Nee. 13:19 ; Levítico 23:32.
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03) Quantos dias e quantas noites Jesus ficou no sepulcro? Mat. 12:40.
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01) Três dia e noites equivalem a quantas horas? Jo. 11:9,10.
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02) Segundo Mateus 28:1 que dia Jesus ressuscitou?
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“O evangelista Mateus é claro em dizer que no fim do Sábado as mulheres foram ver o sepulcro. (Mat. 28:1)
“No fim” é a tradução do termo grego OPSE e significa, literalmente, “tarde”. A American Standar Version, que é a mais correta versão em inglês, traduz precisamente: “Na tarde do dia do Sábado A Revised Standard Version está errada neste ponto, traduzindo OPSE por “após”. O Englishman’s Greek Testament e o Reverside Cambridg traduzem-no por “tarde”. Nos “Evangelhos do Aramaico” de Lamsa, consta “Ao anoitecer do dia do sábado”. Algumas das “versões modernas” em inglês, como a de Goodspeed, traduzem-no erradamente por após”.
As traduções de Figueiredo e de Matos Soares dizem: “Mas na tarde de Sábado, ao amanhecer o primeiro dia da semana”, e a edição revista e atualizada no Brasil traduzida por João Ferreira de Almeida, corretamente diz: “No findar do Sábado, ao entrar o primeiro dia da semana”.
03) O que disseram os demais evangelistas a respeito da visita das mulheres ao sepulcro para embalsamarem Jesus? mar. 16:2 ; Lucas 24:1 ; João 20:1.
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Como entender esta aparente contradição dos três evangelistas com o evangelista Mateus?
O termo grego EPIPHOSKO, traduzido por “amanhecer”, empregado para indicar o aparecimento da luz na alvorada, tem também o significado de princípio ou aproximação.
As traduções Figueiredo e Matos Soares traduzem Mateus 28:1, assim: “Mas na tarde de Sábado; ao amanhecer o primeiro dia da semana”. Não poderia estar “amanhecendo” no fim da tarde do Sábado; porém, desde que o primeiro dia começava ao pôr-do-sol, ele podia estar se aproximando ou “começando”.
Mateus foi o que melhor detalhou a visita das mulheres ao sepulcro; ele foi claro em dizer que o Sábado estava terminando e que o primeiro dia já ia começar, quando elas foram ao sepulcro. Os outros evangelistas se preocuparam em relatar a visita e o que aconteceu, sem detalhar que as mulheres chegaram ao sepulcro alguns minutos antes do primeiro dia.
Notai que nos quatro evangelhos está relatado que quando as mulheres chegaram no sepulcro, elas o encontraram vazio. Nenhum evangelista menciona que a ressurreição tenha ocorrido no primeiro dia da semana.
Estudiosos da Bíblia, nos dizem que em marcos 16:9 a palavra “manhã” modifica “apareceu” e não ressuscitou”. Considerando que os antigos manuscritos gregos do Novo Testamento não tinham pontuação e com base no texto de Almeida, a tradução correta é, pois: “Jesus, tendo ressuscitado, na manhã do primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria Madalena , da qual tinha expulsado sete demônios”.
04) Quando foi que as mulheres compraram os aromas e bálsamos para embalsamar o corpo de Jesus? Marcos 16:1,2.
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08) Quando foi que elas prepararam os aromas e o bálsamo? Luc. 23:56.
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“Somente a ocorrência de dois sábados naquela semana explica a aparente contradição entre as passagens de Mar. 16:1 e Lucas 23:56. Em Marcos consta que as mulheres, passado o Sábado, compraram aromas para embalsamarem o corpo de Jesus; e em Lucas se diz que elas prepararam aromas e bálsamos antes do sábado. A única explicação cabível é que marcos fala do sábado Pascal e Lucas se refere ao sábado semanal.
Portanto, a compra e o preparo dos aromas e do bálsamo ocorreu entre os dois sábados: isto é, na sexta-feira”.
CRONOLOGIA DOS VENTOS
Calendário Calendário Eventos
Hebraico Juliano
13/Abibe 27/Março
terça-feira Ao anoitecer celebrou antecipadamente a Páscoa
com os Seus discípulos, pois no dia seguinte Ele
seria o próprio Cordeiro pascal do sacrifício.
Mat. 26:18-20 ; Marc. 14:14-18 ; Luc. 22:14-16
14/Abibe 28/Março
terça-feira Na noite de terça-feira para quarta-feira,concluída
a ceia da Páscoa, Jesus instituiu o lavapés e a
Santa Ceia. Jo. 13: 4,5,14,15 ; Mat. 26:26-29 ;
Marc. 14:22-25 ; Luc. 22:19,20 ; I Cor. 11:23-26.
Ainda nessa noite Jesus foi preso e Seu
julgamento prolongou-se até pela manhã. Mat.
26:47; 27:1,2, 11-26; Marc.14:43; 15:1-15 ;
Lucas. 22:54, 23:1-5 ; Jo. 18:12, 19:16.
Foi crucificado cerca das 9 horas da manhã e
morreu das 3 horas da tarde. Marc. 15:25,34;
Mat. 27:45,46.
Foi sepultado ao entardecer ao pôr-do-sol, antes
de começar o Sábado Pascal. Mat. 27:57-60;
Marc.15:42-46 ; Luc. 23:53,54;Jo. 19:31,38-42.
15/Abibe 29/Março
Sábado Pascal quinta-feira Jesus permanece no sepulcro. Pilatos manda uma
escolta guardar o sepulcro por três dias.
Mat. 27:62-66. Sábado cerimonial com descanso
obrigatório conforme a lei mosaica.
16/Abibe 30/Março Jesus permanece no sepulcro. Passado o Sábado sexta-feira Pascal, as mulheres que estavam com Ele na
crucificação, compraram aromas e bálsamos para
embalsamá-Lo. Mar. 16:1 ; Luc. 3:56 (1ª parte).
17/Abibe 31/Março
Sábado Sábado
semanal semanal Jesus permanece no sepulcro até o entardecer do
sábado, quando então ressuscita. As referidas
mulheres, após descansarem no sábado semanal,
segundo o mandamento, foram ao sepulcro no
final desse dia, quando começava o domingo,
levando os aromas que haviam preparado, mas
ELE JÁ HAVIA RESSUSCITADO ! Luc. 23:56
(última parte) ; Mat. 28:1-6.
OBS: O Calendário Juliano foi substituído pelo atual Gregoriano em 1582, com alteração apenas na data (acréscimo de 10 dias), porém sem alterar a ordem dos dias da semana.
